terça-feira, 30 de março de 2010

IMPORTANTE

Portador de mal de Parkinson deve receber aposentadoria integral, segundo STJ

Da Redação - 30/03/2010 - 13h53

A 3ª Seção do STJ (Superior Tribunal de Justiça) restabeleceu o pagamento integral de aposentadoria a um servidor público portador de mal de Parkinson, doença que afeta o sistema neurológico, sob o entendimento de que "servidor público aposentado por invalidez permanente, decorrente de doença grave, prevista na legislação regente, tem direito a receber aposentadoria integral, sendo vedado à Administração Pública [no caso, AGU] reduzir proventos com apoio em normas gerais em detrimento de lei específica".

De acordo com o processo, no caso, o servidor público comprovou com a apresentação de laudo médico oficial ser portador do mal de Parkinson, doença que possui previsão legal de irredutibilidade de vencimentos na aposentadoria. O servidor questionou no STJ a legalidade do ato administrativo da AGU (Advocacia Geral da União) que determinou, por meio da Portaria 1.497/08, o cálculo de sua aposentadoria de forma proporcional, em vez de integral.

Inconformado, ele ingressou com mandado de segurança no STJ contra a AGU. No ato, a autoridade respaldou a decisão pelo teor da Emenda Constitucional 41/03, que barrou o pagamento integral para benefícios nos termos do artigo 40, parágrafo 3º, da Constituição.

No entanto, para o ministro Napoleão Maia Filho, relator do processo, a Constituição Federal, em seu artigo 40, parágrafo 1º, inciso I, estabelece que o servidor aposentado por invalidez permanente, decorrente de doença grave, será aposentado com proventos integrais.

Já a Lei 8.112/90, ao regulamentar o artigo, especifica várias doenças graves, entre as quais o mal de Parkinson. Dessa forma, o ministro explicou que existe uma ‘controvérsia jurídica’ por parte da autoridade e reiterou que a 3ª Seção já pacificou o entendimento a respeito da Emenda Constitucional 41/03, a qual excetuou expressamente os casos de doenças graves.

Por fim, o ministro Napoleão Nunes determinou a anulação da Portaria 1.497/08, da AGU, que determinou o cálculo proporcional da aposentadoria do servidor, devendo ser mantido o pagamento integral dos proventos. A decisão foi unânime.

*Com informações da assessoria de imprensa do STJ.

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sábado, 20 de março de 2010

Agenda

dia 25.03 reunião Sede DER

dia 27.03 ensaio coral local a confirmar

dia 28.03 confraternização

Reinício do Coral

Hoje, dia 20.03.2010 iniciou no Centro Comunitário da Cohab, os ensaios de canto do Coral da Associaão de Parkinson Tocando em Frente.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cinema
Aos 73 anos, Paulo José vive fase vigorosa de criação

Publicado em 16/03/2010 | Agência Estado

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Campinas - Ele foi um padre que pecou por amor, quis ter todas as mulheres, mas ficou com uma só, deu vida a um herói sem nenhum caráter, e terminou como nacionalista radical; morreu bêbado no mar da Bahia e reencarnou em artista de circo que discute a profissão com o filho em crise. Paulo José Gomez de Souza, ou simplesmente Paulo José, gaúcho de Lavras, um dos atores mais completos e complexos da cena brasileira, deu vida a todos esses personagens e a muitos outros mais.

Paulo trabalhou em teatro e televisão, mas é no cinema que se sente melhor, “em casa”, como diz. E, sentindo-se bem, foi protagonista de filmes como O Padre e a Moça (Joaquim Pedro de Andrade, 1965), Todas as Mulheres do Mundo (Domingos Oliveira, 1966), Macunaíma (Joaquim Pedro, 1969) e Policarpo Quaresma (Paulo Thiago, 1998), entre muitos outros. Agora “vive”, por assim dizer, o ébrio defunto Quincas Berro d’Água, no novo longa de Sérgio Machado, e está filmando O Palhaço sob a direção de Selton Melo, com quem contracena.

Paulo José é uma usina de força e criatividade. E de humor. Tira de letra a doença de Parkinson, com a qual convive desde o início dos anos 1990. “Ele brinca com o assunto – diz que sofre de Parkinson de diversões”, conta Selton Mello. O encontro com Paulo José se dá em Campinas, onde ele se hospeda durante as filmagens de O Palhaço.

O filme se distribui entre algumas locações da região. Uma delas, uma fazenda, cerca de 40 quilômetros fora da cidade. Outra, nos estúdios da vizinha Paulínia, onde um circo cenográfico foi montado. Mas hoje ele está de folga. E convida o jornalista para jantar num restaurante de hotel.

Conversar com Paulo é sempre algo muito agradável. Pela inteligência, pela generosidade com que se entrega às perguntas, pela maneira franca e direta como aborda qualquer assunto. Pela originalidade das respostas. Por exemplo, quando se pergunta a ele como foi interpretar um morto em Quincas Berro d’Água, relato que Sérgio Machado adaptou do conto de Jorge Amado, ele sai-se com esta: “Ora, um morto tem expressão, por isso não poderia ser substituído por um boneco, como quiseram fazer, para meu conforto.”

O caso do boneco é engraçado. A história de Quincas, se você não sabe, é a de um famoso beberrão da Bahia, que morre e é velado por seus companheiros de farra. Lá pelas tantas, já tocados pelo álcool, os amigos resolvem levar Quincas a passeio pela noite de Salvador, convencidos de que ele de fato não morreu. Está inerte apenas porque teria bebido além da conta. E lá vão eles, pelos bares e bordéis da Bahia, com o cadáver nas costas. A produção achou que um boneco substituiria o ator em boa parte das cenas. Mas Paulo não gostou. “Tudo ficou muito mecânico, artificial, e assim só usamos o boneco numa cena em que o personagem despenca do segundo andar de uma delegacia de polícia”, conta, morrendo de rir. O resultado, o público poderá conferir em abril ou maio, quando o filme entra em cartaz, talvez passando antes pelo Festival de Cannes.

Outro exercício de sutileza está sendo feito por Paulo na filmagem de O Palhaço. Ele e Selton Melo são pai e filho, ambos palhaços do Esperança, um desses circos miseráveis que vivem mambembeando pelo interior do País. Circo precário, daqueles que nem animais têm, “só os cachorros”, uma caravana tosca, que estaciona nas praças das cidadezinhas ou em fazendas que dão acolhida aos artistas. Paulo José e Selton Mello são Valdemar e Benjamim, a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré, que mantém um relacionamento complicado. “O Paulo é muito doce, uma figura tão amigável que tive de insistir com ele para notar a dureza da relação entre o Valdemar, que é autoritário, e o Benjamim, um artista jovem e em crise; mas assim que ele compreendeu o papel, conseguiu uma interpretação impressionante”, diz o diretor.

Notícias

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*
Aparelho permite a cego 'enxergar com a língua'

O pesquisador Paulo Rogério Scalassara, que faz pós-doutorado do Instituto de Física da USP-São Carlos, está trabalhando na ampliação de um sistema de processamento digital de sinais para identificar doenças relacionadas ao aparelho fonador. O estudo original de Scalassara, durante o doutorado na Escola de Engenharia, mirava duas patologias: nódulos nas pregas vocais e o edema de Reinke, que provoca inchaço. Agora, Scalassara pretende incluir no sistema outras quatro doenças: pólipo, carcinoma da laringe, mal de Parkinson e tremor essencial (parecido com Parkinson).



Scalassara se utiliza de um banco de vozes pré-gravadas e digitalizadas. Esse banco foi ampliado por uma coletânea de gravações cedidas pelo Hospital das Clínicas da Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, onde ele trabalhou como assistente de pesquisa durante parte de seu doutorado.



Os arquivos são submetidos a análises por software. Vozes oriundas de tratos vocais saudáveis têm características mais “previsíveis” (menor entropia). Quando o aparelho fonador é comprometido por doenças, a voz tem maior grau de irregularidade e, portanto, é menos previsível (maior entropia).



Uma das consequências da pesquisa é promover o desenvolvimento de sistemas de auxílio pré-diagnóstico que evitem exames invasivos como a laringoscopia.



*Com informações da Agência Fapesp , por Fábio Reynol

Festividades do Dia Mais /Dia Internacional da Mulher

sábado, 6 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

LINDO

Atividades físicas

Introdução

A Doença de Parkinson (DP) é um distúrbio neurológico progressivo causado pela degeneração de neurônios da substância negra responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor relacionado principalmente com a função de coordenação dos movimentos. (Hauser & Zesiewicz, 2001)

As manifestações clínicas da DP surgem quando pelo menos 80% das células da substância negra são acometidas. As razões da perda progressiva dessas células ainda estão sendo pesquisadas, mas as possibilidades incluem vírus, envenenamento do meio ambiente e alterações químicas do cérebro.

As características motoras da DP relacionam-se com tremor em repouso; bradicinesia (lentidão na execução de movimentos), rigidez (hipertonia plástica, acometendo a musculatura flexora, determinando alterações típicas de postura) e distúrbio de equilíbrio (decorrente da perda de reflexos de readaptação postural). Embora haja exceções, quando pelo menos dois desses quatro tipos de sinais clínicos estão presentes, grandes são as chances do paciente ser portador da DP. (Teive, 2000).

Além das manifestações motoras, os pacientes com DP podem apresentar complicações não-motoras, sendo essas evidentes nas fases mais avançadas da doença. Dentre as principais complicações não-motoras Andrade et al, 1998, destaca:

a hipotensão ortostática;

distúrbios gastrointestinais (obstipação intestinal, disfagia, distúrbios de: esvaziamento gástrico, e salivação);

distúrbios respiratórios;

distúrbios sexuais;

distúrbios sensitivos e dor (são predominantemente desestesicos, com parestesias, desestesias tipo "queimação", dormência e dores profundas);

distúrbios do sono (presença de distúrbio do sono REM, da síndrome da apneia do sono, síndrome das pernas inquietas e do aumento de despertadores noturnos).

A escala de Hoehn e Yahr, desenvolvida na década de 60, classifica a DP em 5 estágios conforme o nível de gravidade. (Hauser & Zesiewicz, 2001)

Estágio I: manifestações unilaterais da DP, incluindo as principais características: tremor, rigidez e bradicinesia.

Estágio II: manifestações bilaterais acima mencionadas, possíveis anormalidades da fala, postura fletida e marcha anormal.

Estágio III: agravamento bilateral das manifestações da DP, somadas aos distúrbios de equilíbrio.

Estágio IV: agravamento dos estágios anteriores; neste estágio os pacientes são incapazes de viverem de forma independente.

Estágio V: pacientes necessitam do auxílio de cadeira de rodas, ou estão confinados ao leito.

A doença de Parkinson ocorre com grande prevalência em indivíduos idosos. Em média estima-se de 100 a 150 casos para cada 100 mil pessoas. Inicia-se geralmente por volta dos 60 anos de idade e acometem ambos os sexos. Quando a doença se manifesta antes dos 40 anos é denominada parkinsonismo precoce. Em indivíduos jovens, com idade inferior a 21 anos é denominada parkinsionismo juvenil. Quanto mais jovem for o paciente com os sintomas da doença, maior será a possibilidade de haver um componente genético envolvido. (Teive, 2000; Andrade et al, 1998).

Além dos sinais motores mais visíveis 0identificados no parkinsoniano, o aspecto psicológico destes indivíduos também é afetado. Silberman et al. (2004), descrevem que a demência e a depressão podem agravar e trazer conseqüências negativas durante o desenvolvimento da doença. Muitos desses apresentam-se estressados e angustiados. A taxa de prevalência de depressão entre indivíduos com DP varia de 20% a 70%. Mohr et al. (1996), observaram que a ansiedade e a depressão podem exacerbar as dificuldades motoras apresentadas. Segundo Oxtoby & Williams (2000), a depressão surge anteriormente aos sintomas físicos em decorrência às alterações bioquímicas ocasionadas por ela.

A função cognitiva dos indivíduos com DP segundo Mäder apud Teive (2000), é prejudicada. A autora relata, que esses indivíduos freqüentemente se queixam de dificuldades para concentrar a atenção a fatos recentes. A capacidade de memorização, também é afetada, principalmente quando há aspectos depressivos associados.

A doença de Parkinson, atualmente não possui cura, porém, ela pode e deve ser tratada de forma a combater os sintomas e também retardar o seu progresso. Dentre os métodos de tratamento existentes atualmente estão: cirurgias, fármacos, fisioterapia, terapia ocupacional, estimulação cerebral profunda e fonoaudiologia. Além disso, muitos trabalhos demonstram que a atividade física pode contribuir para amenizar os sintomas da DP.


Atividade física: benefícios e adaptações

Os benefícios da prática de atividade física regular e com orientação adequada são amplamente reconhecidos e contribuem para uma melhor qualidade de vida. No paciente com Parkinson os exercícios tem importância adicional visando não só os aspectos motores, como também os aspectos psicológicos e sociais.

A atividade física não leva ao desaparecimento da doença, porém, pode retardar sua progressão, principalmente no que diz respeito à rigidez muscular e lentidão dos movimentos (Hauser & Zesiewicz, 2001; Shepard, 1998; Kuroda et al., 1992). Além disso, segundo Shankar (2002) melhora a sensação de bem-estar e o estado funcional do paciente.

Estudos têm mostrado que a prática de atividades físicas tem proporcionado benefícios a indivíduos com DP. Essa prática segundo os autores deve ser regular uma vez que seus benefícios tendem a desaparecer após um período de interrupção dessas atividades (Comella et al., 1994).

Smith (2003); Sasco et al (1992), sugerem que a atividade física possui um efeito neuroprotetor sobre o cérebro, auxiliando na proteção de várias doenças neurodegenerativas. Segundo seus estudos realizados com ratos, os exercícios poderiam diminuir a vulnerabilidade da dopamina à agentes agressores. A plasticidade do cérebro e seu poder regenerador podem ser melhorados com a atividade física.


Caminhada

Na doença de Parkinson é muito comum o doente apresentar diferentes graus de dificuldades para deambular. Mesmo nos estágios iniciais da doença alguns indivíduos podem apresentar a cadência e tamanho dos passos diminuídos, mesmo quando a força, flexibilidade, postura e equilíbrio ainda estejam preservados. Segundo Piemonte (2002), isto ocorre porque os núcleos de base responsáveis pela execução de atividades automáticas, como o andar, estão afetados.

Sunvisson (1997), realizou um estudo com caminhadas com pessoas com DP em uma região montanhosa da Suíça. Ele verificou resultados positivos relacionados à melhora na redução do tempo na realização da atividade e da performance motora geral.

Miyai (2000), elaborou um treino de caminhada durante 4 semanas com suporte de 20% do peso corporal em 10 indivíduos com doença de Parkinson. Obteve melhora nas atividades de vida diária, marcha e na performance motora, conseguindo resultados superiores daqueles obtidos apenas com o manejo da fisioterapia de forma isolada.

Piemonte (2002), relata que a prática da caminhada terá maior resultado se a mesma for realizada em um ambiente tranqüilo de forma que o paciente mantenha atenção sobre os passos garantindo seu equilíbrio.

Para Oxtoby e Williams (2000), caminhar é uma forma excelente de exercício, assim como uma forma de manter a independência e conservar sob controle os interesses e atividades da pessoa com DP. Observando a importância da caminhada, elaboraram os seguintes procedimentos visando facilitar esta prática por esta população:

Pare e faça uma avaliação sobre as dificuldades ao caminhar;

Fique o mais ereto possível - inclinar-se para frente torna mais provável o desequilibro;

Coloque primeiro o calcanhar no chão, e depois o pé;

Possibilite que o próprio parkinsoniano, dê a si mesmo instruções faladas, tais como: "calcanhar, calcanhar" enquanto segue em frente. Esta é uma dica importante, já que para muitos desses indivíduos a realização de tarefas é facilitada a partir da transformação de ações em palavras.

Segundo Okamoto (1990), a manutenção de deambulação segura e independente depende da postura, equilíbrio e movimentos coordenados do paciente ao iniciar e parar.

A Associação Americana de Doença de Parkinson (APDA), oferece algumas dicas para a realização de uma caminhada mais segura e prazerosa para indivíduos com DP.

Ao andar ou ficar de pé, os pés devem ser mantidos separados aproximadamente 25 cm e não deve se cruzar;

Os pés devem elevar-se de maneira exagerada para desencorajar o arrastar de pé;

Os dedos devem varrer o chão para se evitar tropeços;

A oscilação dos membros superiores deve ser exagerada;

O paciente deve olhar para frente e não para o chão;

Os passos devem tender a ser mais longos;

Ao se virar, o paciente deve planejar fazer um grande arco, sem cruzar os pés;

Quando o paciente perceber que o andar está rápido, deve-se prontamente parar em pé, voltando ao ritmo inicial;

A marcha pode ser reassumida com passos altos e longos.


Treinamento de força, atividades posturais e de flexibilidade

A diminuição da força muscular ocorre de forma efetiva no parkinsoniano. A fraqueza decorrente da doença leva os indivíduos à insegurança à realização das atividades se limitando as atividades estritamente necessárias, levando a uma maior atrofia muscular e conseqüente diminuição da força (Scandalis et al., 2001).

Gallahue, (2003), relata que o ganho de força muscular através de um programa adequado de treinamento para os membros inferiores, são efetivos no condicionamento e manutenção do equilíbrio evitando quedas que, agravadas pelos distúrbios de equilíbrio, são freqüentes nesses indivíduos.

Shankar (2002), em um estudo de 12 semanas composto de um treinamento de caratê, envolvendo a parte superior do corpo junto com um programa de exercícios desenvolvido pelo United Parkinson Foundation, com dois grupos de pacientes com DP, conseguiu constatar benefícios na melhora da marcha, tremor, força de preensão e coordenação motora.

Segundo Hauser & Zesiewicz (2001), exercícios de mobilidade, alongamentos e fortalecimento, contribuem imensamente para os parkinsonianos contribuindo para manter a capacidade de caminhar, aumento da flexibilidade, prevensão de uma postura encurvada e manter a mobilidade e a função mesmo com o progresso da bradicinesia e rigidez.

Exercícios de alongamento visando maior flexibilidade devem fazer parte de uma proposta de atividades físicas para indivíduos com Parkinson. Eles podem ajudar a diminuir rigidez muscular desses indivíduos, auxiliando na melhora da postura encurvada comum no doente de Parkinson (HAUSER, 2000; NOBREGA et al., 1999).


Esportes

Pessoas com Parkinson podem praticar qualquer tipo de esporte, no entanto, é mais seguro que ao praticar algum esporte escolha aquele adequado para a sua condição. Os jogos devem ser praticados de acordo com a condição física e o grau de comprometimento motor, apesar disso existem inúmeras possibilidades como tênis, squash, tênis de mesa, natação, caminhadas, entre outras.

De acordo com Oxtoby & Williams (2000), indivíduos com Parkinson que já praticam algum tipo de esporte, de maneira alguma precisam parar por causa da Doença. Todo exercício que traga prazer ao praticante, se praticado moderadamente, é benéfico.

É importante ao aconselhar exercícios ao indivíduo com Parkinson, avaliar o nível da doença, verificando a condição motora já afetada e introduzindo atividades que possam se adequar a cada nível. Esse fator é de grande importância, pois dependendo do nível e intensidade da atividade, pode haver riscos na prática de determinado esporte.

Segundo Hauser & Zesiewicz (2001), para que as atividades possam alcançar resultados é importante introduzir atividades físicas que o paciente goste de praticar, para que haja adesão e continuidade nos programas de exercícios e seja garantido assim os benefícios vinculados a esta prática.

Reuter et al (1999), em estudo constituído em várias atividades esportivas, executadas duas vezes no período de 14 semanas em indivíduos com DP, obteve melhora na incapacidade motora, discinesia (movimentos involuntários) e bem estar, conduzindo para um melhor desempenho motor.

Em um estudo, Palmer, Mortmer & Webster (1986), realizaram um treinamento de caratê com 28 indivíduos com DP num período de 4 meses, 1 vez por semana durante 1 hora. Observaram resultados positivos na marcha, tremor, força de preensão e coordenação motora.

Mohr (1996), afirma que a terapia física e esportiva (especialmente atividades de resistência) entre indivíduos deprimidos com DP, proporciona melhoras significativas no humor.

Goetz et al. (1993); Szekely et al. (1982), relatam redução da ansiedade e do sentimento de isolamento quando doentes com DP são incluídos em grupos que realizam atividades físicas e esportivas.


Abordagem da Educação Física na doença de Parkinson

Não encontramos pesquisas significativas na área da Educação Física que aborde pessoas com DP. Além disso, poucos são os profissionais de Educação Física trabalhando com essa população.

Essa situação influencia no perfil dos trabalhos corporais realizados com esses indivíduos. Eles compreendem atividades físicas como terapia física. Dentro dessa terapia física segundo Engelhardt (2002), são identificadas algumas especialidades como: terapia física em grupo ou individual, terapia esportiva, natação terapêutica, ergoterapia, terapia ocupacional e terapia da fala.

Seus objetivos abrangem: (1) preservar e manter as funções dos indivíduos em alto nível; (2) melhorar a função motora, incluindo a iniciação do movimento, estabilização do tronco e ampliar os movimentos; (3) reduzir o tremor e a rigidez; (4) melhorar atividades de vida diária; (5) prevenir complicações secundárias, causadas pela atrofia muscular ou mudança na postura.

Devido a esta circunstância o foco na prática de exercícios por esta população pode limitar-se muito à esfera física do indivíduo e centrar-se nas disfunções ocasionadas pela DP.

Assim, um programa de atividade física com esta perspectiva, apesar do indiscutível ganho funcional, pode fragmentar as experiências corporais do individuo, excluindo por exemplo, os aspectos lúdicos, expressivos e de auto conhecimentos, enfatizados na prática do professor de Educação Física. Desta forma, consideramos de extrema importância que seja repensado a inclusão do professor de Educação Física na equipe multidisciplinar envolvida no cuidado desta população.


Referências bibliográficas

ANDRADE, Luiz Augusto Franco de et al. Doença de Parkinson: estratégias atuais de tratamento. São Paulo: Lemos, 1998.

COMELLA CL, STEBBINS GT, BROWN-TOMS N. Physical therapy and Parkinson's disease: a controlled clinical trial. Neurology 1994;44(3pt1):376-378.

GALLAHUE, David L.; OZMUN, John C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 2003.

GOETZ CG, THELEN JA, MACLEOD CM. Blood levedopa levels and unified Parkinson's disease rating scale function: with and without exercise. Neurology 1993;43(5):1040-1042.

HAUSER Robert. A doença de Parkinson - perguntas e respostas. Espanha: Merit, 2000.

HAUSER, Robert; ZESIEWICZ, Theresa. A doença de Parkinson: perguntas e respostas. São Paulo: Novartis, 2001.

KURODA K, TATARA K, TAKATORIGE T. Effect of physical exercise on mortality in patients with Parkinson's disease. Acta Neurol Scand 1992;86(1)55-59.

MIYAI, Ichiro et al. Teradmill training with body weight support: its effect on Parkinon's disease. Arch Phys Med Reahabil. 2000; 81 (7): 849-852.

MOHR B, MÜLLER V, MATTES R. Behavioral treatment of Parkinson's disease leads to improvement of motor skills and to tremor reduction. Behav Ther 1996;27:235-255.

NOBREGA A.C.L, Freitas EV, Oliveira MAB et al. Posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia: Atividade física e saúde no idoso. Rev. Bras. Med. Esporte 1999; 5(6):207-11.

OKAMOTO, Gary.A. Medicina física e reabilitação: princípios básicos. São Paulo: Manole,. 1990.

OXTOBY, Marie; WILLIAMS, Adrian. Tudo sobre doença de Parkinson: respostas às suas dúvidas. São Paulo: Andrei, 2000.

PIEMONTE, Maria Elisa P. Programa Semanal de Exercícios para Pacientes com Doença de Parkinson. São Paulo: Lemos, 2003.

PALMER S.S; MORTIMER J.A; WEBSTER D.D, et al. Exercise therapy for Parkinon's disease. Arch Phys Med Rehabil. 67: 741-745, 1986.

REUTER, Iris et al. Therapeutic value of exercise training in Parkinson's disease. Med. Sci. Sports Exerc., Vol. 31, No. 11, pp. 1544-1549, 1999.

SASCO Aj, PAFFENBARGER Rs Jr, GENDRE I. The role of physical exercise in the ocorrence of Parkinson's disease. Arch Neurol 1992;49(4):360-365.

SCANDALIS T.A., BOSAK A., BERLINER J.C, et al. Resistance training and gait function in patients with Parkinson's disease. In: Am J Phys Med Rehabil. New York. V.1, n. 80. p. 38-43, 2001. Pubmed Disponível em: www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed.

SHANKAR. Kamala. Prescrição de Exercícios. Rio de Janeiro: Guanabara . 2002.

SHEPHARD R.J. Aging and Exercise. In: Encyclopedia of Sports Medicine and Science, Fahey TD (editor). Internet Society for Sport Science: http://sportsci.org. Toronto, 1998. Traduzido por: Professor Guimarães A.O.B.

SILBERMAN, Cláudia Débora, LAKS, Jerson, RODRIGUES, Cláudia Soares et al. Uma revisão sobre depressão como fator de risco na Doença de Parkinson e seu impacto na cognição. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, jan./abr. 2004, vol.26, no.1, p.52-60.

SMITH A.D. Can the brain be protected through exercise? Lessons from an animal model of parkinsonism. In: Experimental Neurology. Pittsburgh, v.184, n 1, p.31-39. 2003. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/ pubmed. Acesso em 01 out 2005.

SUNVISSON, Helena. et al. Changes in motor performance in persons with Parkinson's disease after exercise in a mountain area. J Neurosci Nurs 1997; 29 (4): 255-260.

SZEKELY BC, KOSANOVICH NN, SHEPPARD W. Adjuntive treatment in Parkinson's disease: physical therapy and comprehensive group therapy. Rehabil Lit 1982;43(34):72-76.

TEIVE, Helio Afonso Ghizoni. Doença de Parkinson: Um Guia Prático para Pacientes e Familiares. São Paulo: Lemos, 2000.


Outro artigos em Portugués




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revista digital · Año 11 · N° 101 | Buenos Aires, Octubre 2006
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Atividades físicas

Introdução

A Doença de Parkinson (DP) é um distúrbio neurológico progressivo causado pela degeneração de neurônios da substância negra responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor relacionado principalmente com a função de coordenação dos movimentos. (Hauser & Zesiewicz, 2001)

As manifestações clínicas da DP surgem quando pelo menos 80% das células da substância negra são acometidas. As razões da perda progressiva dessas células ainda estão sendo pesquisadas, mas as possibilidades incluem vírus, envenenamento do meio ambiente e alterações químicas do cérebro.

As características motoras da DP relacionam-se com tremor em repouso; bradicinesia (lentidão na execução de movimentos), rigidez (hipertonia plástica, acometendo a musculatura flexora, determinando alterações típicas de postura) e distúrbio de equilíbrio (decorrente da perda de reflexos de readaptação postural). Embora haja exceções, quando pelo menos dois desses quatro tipos de sinais clínicos estão presentes, grandes são as chances do paciente ser portador da DP. (Teive, 2000).

Além das manifestações motoras, os pacientes com DP podem apresentar complicações não-motoras, sendo essas evidentes nas fases mais avançadas da doença. Dentre as principais complicações não-motoras Andrade et al, 1998, destaca:

a hipotensão ortostática;

distúrbios gastrointestinais (obstipação intestinal, disfagia, distúrbios de: esvaziamento gástrico, e salivação);

distúrbios respiratórios;

distúrbios sexuais;

distúrbios sensitivos e dor (são predominantemente desestesicos, com parestesias, desestesias tipo "queimação", dormência e dores profundas);

distúrbios do sono (presença de distúrbio do sono REM, da síndrome da apneia do sono, síndrome das pernas inquietas e do aumento de despertadores noturnos).

A escala de Hoehn e Yahr, desenvolvida na década de 60, classifica a DP em 5 estágios conforme o nível de gravidade. (Hauser & Zesiewicz, 2001)

Estágio I: manifestações unilaterais da DP, incluindo as principais características: tremor, rigidez e bradicinesia.

Estágio II: manifestações bilaterais acima mencionadas, possíveis anormalidades da fala, postura fletida e marcha anormal.

Estágio III: agravamento bilateral das manifestações da DP, somadas aos distúrbios de equilíbrio.

Estágio IV: agravamento dos estágios anteriores; neste estágio os pacientes são incapazes de viverem de forma independente.

Estágio V: pacientes necessitam do auxílio de cadeira de rodas, ou estão confinados ao leito.

A doença de Parkinson ocorre com grande prevalência em indivíduos idosos. Em média estima-se de 100 a 150 casos para cada 100 mil pessoas. Inicia-se geralmente por volta dos 60 anos de idade e acometem ambos os sexos. Quando a doença se manifesta antes dos 40 anos é denominada parkinsonismo precoce. Em indivíduos jovens, com idade inferior a 21 anos é denominada parkinsionismo juvenil. Quanto mais jovem for o paciente com os sintomas da doença, maior será a possibilidade de haver um componente genético envolvido. (Teive, 2000; Andrade et al, 1998).

Além dos sinais motores mais visíveis 0identificados no parkinsoniano, o aspecto psicológico destes indivíduos também é afetado. Silberman et al. (2004), descrevem que a demência e a depressão podem agravar e trazer conseqüências negativas durante o desenvolvimento da doença. Muitos desses apresentam-se estressados e angustiados. A taxa de prevalência de depressão entre indivíduos com DP varia de 20% a 70%. Mohr et al. (1996), observaram que a ansiedade e a depressão podem exacerbar as dificuldades motoras apresentadas. Segundo Oxtoby & Williams (2000), a depressão surge anteriormente aos sintomas físicos em decorrência às alterações bioquímicas ocasionadas por ela.

A função cognitiva dos indivíduos com DP segundo Mäder apud Teive (2000), é prejudicada. A autora relata, que esses indivíduos freqüentemente se queixam de dificuldades para concentrar a atenção a fatos recentes. A capacidade de memorização, também é afetada, principalmente quando há aspectos depressivos associados.

A doença de Parkinson, atualmente não possui cura, porém, ela pode e deve ser tratada de forma a combater os sintomas e também retardar o seu progresso. Dentre os métodos de tratamento existentes atualmente estão: cirurgias, fármacos, fisioterapia, terapia ocupacional, estimulação cerebral profunda e fonoaudiologia. Além disso, muitos trabalhos demonstram que a atividade física pode contribuir para amenizar os sintomas da DP.


Atividade física: benefícios e adaptações

Os benefícios da prática de atividade física regular e com orientação adequada são amplamente reconhecidos e contribuem para uma melhor qualidade de vida. No paciente com Parkinson os exercícios tem importância adicional visando não só os aspectos motores, como também os aspectos psicológicos e sociais.

A atividade física não leva ao desaparecimento da doença, porém, pode retardar sua progressão, principalmente no que diz respeito à rigidez muscular e lentidão dos movimentos (Hauser & Zesiewicz, 2001; Shepard, 1998; Kuroda et al., 1992). Além disso, segundo Shankar (2002) melhora a sensação de bem-estar e o estado funcional do paciente.

Estudos têm mostrado que a prática de atividades físicas tem proporcionado benefícios a indivíduos com DP. Essa prática segundo os autores deve ser regular uma vez que seus benefícios tendem a desaparecer após um período de interrupção dessas atividades (Comella et al., 1994).

Smith (2003); Sasco et al (1992), sugerem que a atividade física possui um efeito neuroprotetor sobre o cérebro, auxiliando na proteção de várias doenças neurodegenerativas. Segundo seus estudos realizados com ratos, os exercícios poderiam diminuir a vulnerabilidade da dopamina à agentes agressores. A plasticidade do cérebro e seu poder regenerador podem ser melhorados com a atividade física.


Caminhada

Na doença de Parkinson é muito comum o doente apresentar diferentes graus de dificuldades para deambular. Mesmo nos estágios iniciais da doença alguns indivíduos podem apresentar a cadência e tamanho dos passos diminuídos, mesmo quando a força, flexibilidade, postura e equilíbrio ainda estejam preservados. Segundo Piemonte (2002), isto ocorre porque os núcleos de base responsáveis pela execução de atividades automáticas, como o andar, estão afetados.

Sunvisson (1997), realizou um estudo com caminhadas com pessoas com DP em uma região montanhosa da Suíça. Ele verificou resultados positivos relacionados à melhora na redução do tempo na realização da atividade e da performance motora geral.

Miyai (2000), elaborou um treino de caminhada durante 4 semanas com suporte de 20% do peso corporal em 10 indivíduos com doença de Parkinson. Obteve melhora nas atividades de vida diária, marcha e na performance motora, conseguindo resultados superiores daqueles obtidos apenas com o manejo da fisioterapia de forma isolada.

Piemonte (2002), relata que a prática da caminhada terá maior resultado se a mesma for realizada em um ambiente tranqüilo de forma que o paciente mantenha atenção sobre os passos garantindo seu equilíbrio.

Para Oxtoby e Williams (2000), caminhar é uma forma excelente de exercício, assim como uma forma de manter a independência e conservar sob controle os interesses e atividades da pessoa com DP. Observando a importância da caminhada, elaboraram os seguintes procedimentos visando facilitar esta prática por esta população:

Pare e faça uma avaliação sobre as dificuldades ao caminhar;

Fique o mais ereto possível - inclinar-se para frente torna mais provável o desequilibro;

Coloque primeiro o calcanhar no chão, e depois o pé;

Possibilite que o próprio parkinsoniano, dê a si mesmo instruções faladas, tais como: "calcanhar, calcanhar" enquanto segue em frente. Esta é uma dica importante, já que para muitos desses indivíduos a realização de tarefas é facilitada a partir da transformação de ações em palavras.

Segundo Okamoto (1990), a manutenção de deambulação segura e independente depende da postura, equilíbrio e movimentos coordenados do paciente ao iniciar e parar.

A Associação Americana de Doença de Parkinson (APDA), oferece algumas dicas para a realização de uma caminhada mais segura e prazerosa para indivíduos com DP.

Ao andar ou ficar de pé, os pés devem ser mantidos separados aproximadamente 25 cm e não deve se cruzar;

Os pés devem elevar-se de maneira exagerada para desencorajar o arrastar de pé;

Os dedos devem varrer o chão para se evitar tropeços;

A oscilação dos membros superiores deve ser exagerada;

O paciente deve olhar para frente e não para o chão;

Os passos devem tender a ser mais longos;

Ao se virar, o paciente deve planejar fazer um grande arco, sem cruzar os pés;

Quando o paciente perceber que o andar está rápido, deve-se prontamente parar em pé, voltando ao ritmo inicial;

A marcha pode ser reassumida com passos altos e longos.


Treinamento de força, atividades posturais e de flexibilidade

A diminuição da força muscular ocorre de forma efetiva no parkinsoniano. A fraqueza decorrente da doença leva os indivíduos à insegurança à realização das atividades se limitando as atividades estritamente necessárias, levando a uma maior atrofia muscular e conseqüente diminuição da força (Scandalis et al., 2001).

Gallahue, (2003), relata que o ganho de força muscular através de um programa adequado de treinamento para os membros inferiores, são efetivos no condicionamento e manutenção do equilíbrio evitando quedas que, agravadas pelos distúrbios de equilíbrio, são freqüentes nesses indivíduos.

Shankar (2002), em um estudo de 12 semanas composto de um treinamento de caratê, envolvendo a parte superior do corpo junto com um programa de exercícios desenvolvido pelo United Parkinson Foundation, com dois grupos de pacientes com DP, conseguiu constatar benefícios na melhora da marcha, tremor, força de preensão e coordenação motora.

Segundo Hauser & Zesiewicz (2001), exercícios de mobilidade, alongamentos e fortalecimento, contribuem imensamente para os parkinsonianos contribuindo para manter a capacidade de caminhar, aumento da flexibilidade, prevensão de uma postura encurvada e manter a mobilidade e a função mesmo com o progresso da bradicinesia e rigidez.

Exercícios de alongamento visando maior flexibilidade devem fazer parte de uma proposta de atividades físicas para indivíduos com Parkinson. Eles podem ajudar a diminuir rigidez muscular desses indivíduos, auxiliando na melhora da postura encurvada comum no doente de Parkinson (HAUSER, 2000; NOBREGA et al., 1999).


Esportes

Pessoas com Parkinson podem praticar qualquer tipo de esporte, no entanto, é mais seguro que ao praticar algum esporte escolha aquele adequado para a sua condição. Os jogos devem ser praticados de acordo com a condição física e o grau de comprometimento motor, apesar disso existem inúmeras possibilidades como tênis, squash, tênis de mesa, natação, caminhadas, entre outras.

De acordo com Oxtoby & Williams (2000), indivíduos com Parkinson que já praticam algum tipo de esporte, de maneira alguma precisam parar por causa da Doença. Todo exercício que traga prazer ao praticante, se praticado moderadamente, é benéfico.

É importante ao aconselhar exercícios ao indivíduo com Parkinson, avaliar o nível da doença, verificando a condição motora já afetada e introduzindo atividades que possam se adequar a cada nível. Esse fator é de grande importância, pois dependendo do nível e intensidade da atividade, pode haver riscos na prática de determinado esporte.

Segundo Hauser & Zesiewicz (2001), para que as atividades possam alcançar resultados é importante introduzir atividades físicas que o paciente goste de praticar, para que haja adesão e continuidade nos programas de exercícios e seja garantido assim os benefícios vinculados a esta prática.

Reuter et al (1999), em estudo constituído em várias atividades esportivas, executadas duas vezes no período de 14 semanas em indivíduos com DP, obteve melhora na incapacidade motora, discinesia (movimentos involuntários) e bem estar, conduzindo para um melhor desempenho motor.

Em um estudo, Palmer, Mortmer & Webster (1986), realizaram um treinamento de caratê com 28 indivíduos com DP num período de 4 meses, 1 vez por semana durante 1 hora. Observaram resultados positivos na marcha, tremor, força de preensão e coordenação motora.

Mohr (1996), afirma que a terapia física e esportiva (especialmente atividades de resistência) entre indivíduos deprimidos com DP, proporciona melhoras significativas no humor.

Goetz et al. (1993); Szekely et al. (1982), relatam redução da ansiedade e do sentimento de isolamento quando doentes com DP são incluídos em grupos que realizam atividades físicas e esportivas.


Abordagem da Educação Física na doença de Parkinson

Não encontramos pesquisas significativas na área da Educação Física que aborde pessoas com DP. Além disso, poucos são os profissionais de Educação Física trabalhando com essa população.

Essa situação influencia no perfil dos trabalhos corporais realizados com esses indivíduos. Eles compreendem atividades físicas como terapia física. Dentro dessa terapia física segundo Engelhardt (2002), são identificadas algumas especialidades como: terapia física em grupo ou individual, terapia esportiva, natação terapêutica, ergoterapia, terapia ocupacional e terapia da fala.

Seus objetivos abrangem: (1) preservar e manter as funções dos indivíduos em alto nível; (2) melhorar a função motora, incluindo a iniciação do movimento, estabilização do tronco e ampliar os movimentos; (3) reduzir o tremor e a rigidez; (4) melhorar atividades de vida diária; (5) prevenir complicações secundárias, causadas pela atrofia muscular ou mudança na postura.

Devido a esta circunstância o foco na prática de exercícios por esta população pode limitar-se muito à esfera física do indivíduo e centrar-se nas disfunções ocasionadas pela DP.

Assim, um programa de atividade física com esta perspectiva, apesar do indiscutível ganho funcional, pode fragmentar as experiências corporais do individuo, excluindo por exemplo, os aspectos lúdicos, expressivos e de auto conhecimentos, enfatizados na prática do professor de Educação Física. Desta forma, consideramos de extrema importância que seja repensado a inclusão do professor de Educação Física na equipe multidisciplinar envolvida no cuidado desta população.


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revista digital · Año 11 · N° 101 | Buenos Aires, Octubre 2006
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